Baseado em Toronto, Canadá, Tadzio goldgewicht é um sinólogo especialista em pensamento chinês clássico, chinês arcaico e na arte marcial do Xingyiquan. Atua como professor e consultor.

Parece Mas Não É

A Guarda Municipal de Caxias do Sul deteve um jovem que realizava o que acreditava ser uma performance artística - seminu, segurando uma rosa e com um pedaço de arame farpado envolto ao pescoço, o jovem declamava o que acreditava ser um poema. Como os guardas municipais não estudaram história da arte em universidade pública e, portanto, não tiveram o privilégio de serem apresentados à estética e à teoria da "arte" esquerdista, naturalmente não estavam aptos a entender o que se passava e, acreditando que o rapaz estivesse tendo um surto psicótico, o detiveram, chamaram o SAMU e o "artista" foi transportado a um pronto-atendimento, porém não sem antes receber uma dose do bom e velho sossega-leão.  Lá chegando, o rapaz explicou que dançar seminu, segurando uma rosa e tendo arame farpado envolto ao pescoço é arte; que gritar "mata, espanca, xinga , mutila, esquarteja, destrói, sangra, mas isso é só se for pobre, preto e sofrendo" é, na verdade, declamar um poema; e que ele tinha -pasmem- permissão da prefeitura para realizar sua performance. A psiquiatra que o atendeu achou por bem libera-lo. Eu não o liberaria tão rápido. "Mas Tadzio, você não é psiquiatra!", poderão dizer alguns; "E daí", responderia eu, "ele também não é artista". 

Dirão que a Guarda Municipal não entende nada de arte, o que é verdade, mas quem disse que o rapaz entende?. Dirão que Diógenes fazia coisa pior nas ruas, o que também é verdade, mas o rapaz não é Diógenes, seu professor certamente não foi Antístenes e Caxias do Sul não é Atenas. Abaixo o link para o artigo no Globo.

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