Baseado em Toronto, Canadá, Tadzio goldgewicht é um sinólogo especialista em pensamento chinês clássico, chinês arcaico e na arte marcial do Xingyiquan. Atua como professor e consultor.

Proteção Pessoal - 16 Regras que Toda Pessoa Deve Saber

Proteção Pessoal - 16 Regras que Toda Pessoa Deve Saber 

A sociedade atual, analisando-a a partir do contexto internacional, está longe de ser pacífica. Ainda que uma rápida consulta ao google revele que as taxas de homicídio -que aqui utilizarei como exemplo- caíram muito de dois séculos para cá, isso não significa necessariamente que as taxas atuais sejam aceitáveis — e nós sabemos muito bem que não o são —, mas sim que as taxas dos séculos anteriores eram provavelmente altíssimas. Além dos crimes sociais commumente presentes em qualquer país, hoje enfrentamos outros desafios que se fazem notar especialmente em dois particulares: a violência extrema e a opressão cultural advinda de uma política muito bem traçada de ocupação de espaços nas instituições. É bem verdade que a violência extrema sempre caminhou lado a lado ao ser humano, mas creio que sua implementação moderna seja caracterizada por elementos que a distinguem da implementação histórica. Já a opressão cultural é fruto de um conceito utópico que busca alcançar uma sociedade permissiva, baseada em uma ideologia que impõe o inclusivismo absoluto de valores sociais, morais e religiosos, em detrimento aos valores morais, sociais e religiosos da maioria. 

...o estado banaliza a violência social, moral e religiosa, incentiva a violência física (porque ao tolerar um tipo de violência enseja diretamente o outro) e promove o assassinato do pensamento crítico

 

Em linhas bastante gerais, o atual contexto social pode ser entendido da seguinte forma: por um lado o estado tende a minimizar o papel do indivíduo como maior responsável por sua própria segurança, deixando de incentivar práticas e processos mentais vitais à sobrevivência do indivíduo e privando-o das ferramentas necessárias à sua auto-proteção, ao mesmo tempo em que propositalmente falha em sua responsabilidade de protegê-lo; por outro lado o estado banaliza a violência social, moral e religiosa, incentiva a violência física (porque ao tolerar um tipo de violência enseja diretamente o outro) e promove o assassinato do pensamento crítico quando não somente deixa de pensar criticamente, em favor da adoção do pensamento emotivo (e que tem por foco uma realidade que está sempre num futuro muito improvável), mas também quando impõe este tipo de pensamento à população da forma mais vil possível - a reestruturação dos currículos escolares; talvez a forma mais eficiente de reprogramação mental e rearranjo social.

Tal é a praticidade dos pontos que listo a seguir, que cada um deles pode ser implementado logo após a leitura, bastando que para isso o leitor os tenha entendido minimamente.

 

Assim, cada vez mais incapaz de proteger a si e aos seus, o indivíduo inserido neste contexto social fica praticamente a mercê das circunstâncias, recebendo pouco a pouco, e sem disso ter conhecimento, um tipo de reeducação social que lhe coloca em posição de passividade quase absoluta frente aos enormes perigos que o cercam. Torna-se então uma espécie de analfabeto social, incapaz de identificar grandes riscos e se posicionar em relação a eles. Não creio que esta seja uma posição aceitável e, por esta razão, bem como para satisfazer pedido de uma amiga de longa data, resolvi escrever um texto objetivo e sintético que pudesse ser de alguma utilidade àqueles que desejam repensar suas possibilidades dentro do atual contexto da violência mundial. Para isto, descrevo abaixo alguns princípios da estratégia e do militarismo da China, esperando que possam servir de inspiração ao leitor interessado em sua própria segurança. Tal é a praticidade dos pontos que listo a seguir, que cada um deles pode ser implementado logo após a leitura, bastando que para isso o leitor os tenha entendido minimamente. Ademais, são também pontos de grande profundidade intelectual, cada qual podendo representar um semestre de aulas em qualquer boa universidade, tal a sua profundidade. 

 

  1. Você não precisa — e não pode — ser passivo em relação aos perigos da sociedade. Assuma o controle das situações tanto quanto lhe for possível. 
  2. Entenda que você não está inserido na sociedade que idealiza, mas sim na sociedade como ela é - violenta e caótica. Assim, desenvolva a independência intelectual de entender as coisas como realmente são e não como parecem ser. 
  3. Crie e cultive o hábito de pensar que está inserido em situações de grande risco — de preferência aquelas que mais lhe aterrorizam. Crie e viva tais situações em sua própria mente, e procure analisá-las não somente através do seu ponto de vista, mas também do ponto de vista do criminoso. 
  4. Acostume-se à ideia de que, para se proteger, poderá ter que ferir alguém seriamente. Se você não consegue nem ao menos imaginar esta possibilidade, será muito difícil que consiga executá-la se e quando for realmente necessário. 
  5. O maior problema não é que a pessoa possa ser atacada, mas sim que não reconheça esta possibilidade ou que ela se concretize sem que a pessoa esteja preparada para tal.
  6. Duvide. Sempre. Cultive o estado mental da preparação contínua e entenda que, ao sair de casa, qualquer um pode representar perigo potencial. 
  7. Esteja sempre preparado — o improviso nunca supera a preparação.
  8. Jamais se coloque em qualquer situação que possa vir a fazer com que você perca o controle sobre suas ações. 
  9. Parta do princípio de que o perigo está sempre presente.
  10. Jamais se esqueça de que toda e qualquer pessoa tem um lado cruel e apavorante, capaz das maiores violências. Ninguém pode ser exceção. 
  11. Crie o habito de “ler” as pessoas. Aquilo que o indivíduo procura ocultar geralmente transparece, de forma inconsciente, através de seu próprio corpo, de modo que aprender a ler os sinais que o outro revela é uma habilidade fundamental. Como exercício, no decorrer dos próximos meses procure formar um juízo sobre as pessoas que ultrapasse somente o que dizem ou suas ações mais evidentes. Passe a prestar atenção na linguagem corporal, no ritmo da fala, no tom de voz, no olhar, na respiração e no modo de agir das pessoas, porque estes particulares revelam sempre muito mais do que as falas ou ações evidentes. Cada foco de atenção (corpo, olhar, voz, ação, respiração) tem o poder de revelar a natureza do indivíduo e são muitos os particulares sobre os quais sua atenção deve recair. Entretanto, para não me aprofundar demais e manter o caráter sintético deste artigo, aconselho que você busque orientação em sua própria natureza. Quero dizer que, inconscientemente, somos capazes de detectar sinais de perigo através de uma leitura do indivíduo — é o que se chama de intuição, algo que neste caso pode ser entendido como um conjunto de estímulos sensoriais e energéticos que é captado por nosso subconsciente e repassado ao consciente na forma de um sentimento de medo ou desconfiança. Assim, desenvolva o hábito de ler o outro e ouça a sua própria intuição.
  12. Entenda sempre quais são suas opções caso precise agir de forma a se proteger.
  13. O combate físico é sempre a última opção. O mais inteligente é sempre evitá-lo.
  14. Procure sempre maximizar suas possibilidades e os efeitos de suas ações, ao mesmo tempo em que minimiza os riscos que elas envolvem.
  15. Ao entrar em qualquer tipo de ambiente certifique-se da localização de todos os possíveis pontos de entrada e saída (portas, janelas, varandas, saídas de emergência etc). e se posicione sempre perto de um deles. Mais do que saber exatamente para onde correr, você deve saber exatamente para onde não correr.
  16. Se tiver que agir para se proteger o faça com rapidez e determinação absolutas. Jamais hesite. Não tenha qualquer receio de ser ridicularizado ou criticado, de usar força desnecessária ou de causar mal a quem lhe ameaça - antes ele do que você. Você fez tudo em seu poder para evitar esta situação, mas se as circunstâncias fugiram de seu controle e você se encontra em situação de risco, seja impiedoso. A alternativa não é uma opção.

The Palace of the Spirit

Comentando texto do professor Bruno Rocha