Baseado em Toronto, Canadá, Tadzio goldgewicht é um sinólogo especialista em pensamento chinês clássico, chinês arcaico e na arte marcial do Xingyiquan. Atua como professor e consultor.

Arte Marcial Chinesa

Este blog existe com uma função clara e definida, mas que prevê um desdobramento, ou segunda função. A primeira é a de ser uma plataforma através da qual eu possa escrever sobre aqueles assuntos que mais me interessam e sobre os quais estudo, alguns na condição de especialista e outros como interessado, a saber: cultura e pensamento chineses, cultura geral, política e atualidades. A segunda é a de compartilhar meus escritos de modo a que aqueles que se interessam pelos mesmos temas possam se beneficiar de sua leitura, além de criar um canal de comunicação entre mim e os leitores.

Durante os últimos meses tenho então escrito sobre os temas acima relacionados, mas há poucas semanas resolvi abordar um tema sobre o qual há muito não escrevia: as artes marciais chinesas. Foi então que, com certa surpresa, constatei que o artigo recebeu bem mais atenção do que a média de qualquer um dos outros artigos que havia escrito. Ainda que o objetivo maior deste blog não seja o de acumular leitores -o que a bem da verdade seria ótimo, mas não essencial- , esta observação me fez repensar minha abordagem inicial no que diz respeito a escrever sobre a arte marcial chinesa. Tendo vista que este é um dos assuntos sobre os quais escrevo na condição de especialista, além da significância que tem em minha própria vida, por muito tempo nutri um desejo sincero de compartilhar alguma coisa do que havia aprendidoatravés de minhas experiências marciais na China (inacabada, pois que ainda continuo meu treinamento com meu mestre). Ao mesmo tempo, o meio marcial brasileiro, como o conheci desde muito cedo, revelou-se uma grande decepção, pois que parecia girar em torno de uma incessante batalha de egos que sinalizava não somente o caráter de seus protagonistas ou sua visível ignorância no âmbito da cultura chinesa - mais do que isso, revelava a mim mesmo que não era uma esfera pela qual eu tivesse o mínimo interesse em transitar. O desejo de compartilhar qualquer coisa que fosse havia desaparecido.

Várias décadas depois, encontro-me em posição singular. O meio da arte marcial chinesa no Brasil ainda não tem sobre mim qualquer tipo de apelo, e provavelmente jamais o terá. Entretanto, mais velho, mais experiente e mais próximo ao Dao, o modo como lido com as pessoas, com as frustrações, com os sucessos e os medos da vida, este sim mudou, e muito.  Como indivíduo percebo, formo convicções e as sigo, mas procuro manter o exercício constante da tentativa de não julgar. Assim é que me mantenho, é verdade,  indiferente a este meio, mas não necessariamente distante como antes, e por esta razão resolvi voltar a escrever sobre o assunto,  iniciando uma série de artigos a ser publicada aqui em meu blog. Vários fatores determinarão o tamanho desta ´série, a saber: minha própria vontade (ou falta de) em escrevê-los, a receptividade dos leitores e a interação entre mim e eles. 

Partindo de um ponto de vista pessoal, o que me motiva a escrever é justamente compartilhar processos que acontecem em minha vida e que acredito possam ser úteis à outras pessoas, por exemplo: quando comecei a estudar cultura clássica chinesa, o Confucionismo teve grande importância em minha vida, proporcionando-me uma mudança de paradigma das mais significativas, e naturalmente quis escrever sobre o assunto;  durante os muitos anos em que estava solidificando meu entendimento sobre a cultura marcial chinesa e o Xingyiquan (arte marcial que pratico), e por conseguinte moldando a minha personalidade através do estudo constante desta cultura, naturalmente escrevi muito à respeito. Acontece que agora esta não pode ser a minha motivação principal, pois que os processos principais que me levaram a ser o que sou hoje em termos marciais já se solidificaram,e, a partir deste ponto de vista, já escrevi tudo o que tinha para escrever. Assim, neste momento, o elemento mais determinante para que eu escreva sobre o tema deve ser externo, deve ser a receptividade de meus artigos e o interesse do público em tê-los à disposição. Assim, estou iniciando a série, mas a sua continuidade estará atrelada aos próprios leitores, e por isso peço que quem esteja interessado em ler tais artigos comente, compartilhe a idéia nas redes sociais ou em papo com os amigos. Para saber mais sobre mim clique aqui.

Vamos ver onde isso vai dar, ou se vai dar em algum lugar.

Estratégia e as Manifestações do Dia 13

A Máscara Social, a Arte Marcial Chinesa e o Bem da Nação.