Baseado em Toronto, Canadá, Tadzio goldgewicht é um sinólogo especialista em pensamento chinês clássico, chinês arcaico e na arte marcial do Xingyiquan. Atua como professor e consultor.

A flauta celestial

Não é só a voz que ecoa. A vontade, projetada no infinito, reverbera ainda mais forte. É  porque o som da flauta celestial carrega em si a força da vontade das coisas, e não há lugar onde não se faça ouvir. 

(Vou explicar porque senão ninguém vai entender nada, e hoje me deu um cansaço de escrever notas obscuras que somente eu entendo.)

A voz é um veículo que se faz ouvir, e as ondas sonoras que a compõem ecoam de acordo com as propriedades das leis da física, potencializando seu poder a aumentando sua influência perceptível. Entretanto, a voz nunca pode ser o elemento modificador, apenas reflexo dele; este é a vontade, que lhe confere poder e substância, e a força da voz será sempre proporcional à força da vontade. Quanto mais forte e mais projetada a vontade, mais visíveis serão os seus efeitos no mundo físico, e aquele que deseja promover qualquer tipo de mudança deve antes fazê-lo através da força de sua própria vontade. Assim é que o efeito de um (a voz) está atrelado à força do outro (a vontade), e é por isso que as mais diferentes escolas, ordens e grupos dão grande importância ao fortalecimento da vontade.

Acontece que o Daoismo filosófico -sem viés religioso- não prevê uma vontade forte ou inquebrável, mas sim uma vontade irresistível - duas coisas completamente diferentes. Sendo irresistível a vontade não precisa ser forte em si, porque naturalmente nada pode lhe fazer oposição, razão pelaqual o sábio não precisa se preocupar em treina-la. Ao contrário, busca a vontade mais pura, como a da criança. 

Como pode ser assim? É assim porque o sábio descobriu que existe uma vontade irresistível, comum a todas as coisas, e aprendeu a alinhar-se a ela, e desta associação nasce o seu poder. Descobriu também que existe um som mais alto do que qualquer outro, pois que é o som de todas as coisas, e entendeu que quando a sua vontade torna-se a vontade de todas as coisas, o seu som torna-se o som de todas as coisas. Este é o som da flauta celestial.

Assim, possuindo somente a vontade infantil e o tênue som de sua própria palavra, torna-se forte, ainda que permaneça fraco; se faz ouvir, ainda que nada fale; chega, ainda que não se mova; alcança , ainda que nada faça.

É que sábio conhece a não ação.

 

(Deste vez não é Lao Zi, Zhuang Zi ou outro grande pensador. Sou soment eu mesmo)

Rompendo com a realidade

Introspecção