Baseado em Toronto, Canadá, Tadzio goldgewicht é um sinólogo especialista em pensamento chinês clássico, chinês arcaico e na arte marcial do Xingyiquan. Atua como professor e consultor.

Como Falha a Oposição

O atual governo, prole espúria das maléficas diretrizes de um partido maldito que tem por fim último a implementação de um regime ditatorial em nosso país, faz o que quer, quando quer e como bem entende. Tendo aparelhado o estado através do uso inteligente de uma política que se justifica somente quando das situações mais extremas (a guerra sendo uma delas), conta ainda com a conveniente ausência de qualquer oposição de representatividade.

Os mais importantes analistas políticos da atualidade perguntaram inúmeras vezes onde está a oposição? Respondo eu: cooptada por esse governo corrupto que nos assombra. Sim, a oposição política no Brasil não existe - é um faz de conta. O PSDB, partido que lideraria o imperceptível grupo de nacionalistas e homens de bem que teoricamente se oporiam ao atual governo, bebe na mesma fonte que o PT, partido que é o foco da maioria de seus poucos ataques. É que o PSDB também é beneficiado pelo infame Fundo Partidário, extraordinário expediente previsto em lei que possibilita que o governo atinga outros objetivos ainda mais sórdidos do que o próprio Fundo, tais como calar, por força da propina, uma oposição já fraca por natureza. 

Mas não precisamos ir tão longe para entender que oposição no Brasil é somente conto da carochinha, pois que uma breve análise lógica da situação já nos permite chegar à mesma conclusão. Acontece que o embate entre os opostos -principalmente no campo das idéias e de suas implementações nos campos social, militar e político- tem permeado a existência humana desde os seus primórdios, e não poderia ser diferente no Brasil atual. Assim, seria natural que um projeto de poder baseado em idéias muitos bem definidas como as PT encontrasse resistencia em seu oposto ideológico. A ausência deste oposto já  nos serve como indicador de que algo esta errado: a própria ausência da oposição denotando um desajuste injustificável. Não é que não haja oposição no campo das idéias, é que ela não toma forma através de ações objetivas. E aí sim, cabe a pergunta: porque é assim? E novamente respondo - porque aqueles que deveriam dar vida à oposição estão cooptados. Esta cooptação da oposição faz parte de um plano maior, projeto de poder do PT que visa, acredito, instaurar um regime de viés ditatorial em nosso país através da utilização de alguns princípios que, se não vieram diretamente da estratégia chinesa, são, no mínimo, idênticos àqueles. 

A implementação das teorias estratégico-militares da China clássica em tempos atuais é uma de minhas principais áreas de estudo. Entretanto, no Brasil moderno esta implementação demanda importantes considerações de cunho moral e social, pois que tais teorias são, em grande parte, baseadas no engodo e na mentira. Falando objetivamente, não se pode - e aí entra a visão pessoal do sinólogo- implementar a estratégia militar da China clássica em sua totalidade sem fazer uso do engodo e da mentira. Ou seja, sua implementação total requer que o indivíduo esteja preparado para abandonar por completo o conceito de moralidade, tornando-se imoral ou amoral.⁠1  A própria dissimulação destes aspectos no cenário sócio-político já indica a utilização do engodo como espinha dorsal de um nefasto modus operandi.

Em uma situação extrema como a de uma guerra -ainda que caibam opiniões divergentes-  a moralidade pode desaparecer, cedendo lugar somente à luta pela sobrevivência, evidenciando aquele instinto mais básico do ser humano.  Neste tipo de cenário pode justificar-se a implementação da estratégia militar em toda a sua plenitude, pois que conceitos como a moral apequenam-se frente à possibilidade de aniquilação pelo inimigo. Entretanto, tal justificativa dificilmente poderia ser aplicada dentro de um contexto sócio-político onde não haja nem guerra e nem a iminência da guerra. Assim, partindo do princípio de que o indivíduo esteja disposto a tornar-se imoral ou amoral, ou de que estes atributos já façam parte de sua natureza, somente então estaria justificada a implementação de tais teorias no atual cenário brasileiro. Ainda assim, são estes os expedientes estratégicos utilizados com freqüência pelo governo atual que é essencialmente imoral ou amoral, nenhum dos dois atributos gerando qualquer beneficio que seja ao povo brasileiro.

Entretanto do governo pode-se dizer somente que é imoral ou amoral, não burro, pois que tem uma estratégia muito bem definida e a segue à risca, executando-a com rara maestria. Burros somos eu e você que lê este artigo, que assistimos a tudo passivamente infelizes à espera do próximo carnaval.

 

 

 

1 Alguns estudiosos das estratégia militar da China clássica procuram atrelar justificativas morais às teorias militares clássicas. Eu não sou um deles.

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